Sábado, 25 de Setembro de 2010

SIC 18 an(inh)os



O Jornal da Noite da SIC tem mostrado por ocasião do 18º aniversário da estação, algumas opiniões de personalidades dos mais diversos sectores sobre aquela e o seu já não curto historial de programas. Devo confessar que desde adolescente deixei de apreciar televisão na sua generalidade, isto após ter sido acometido por uma "overdose" televisiva cerca dos meus 12 ou 13 anos. Pela SIC passaram esporadicamente alguns programas de qualidade embora seja cauteloso antes de lhe chamar televisão de luxo. Atrevo-me por outro lado a dizer uma vulgaridade: sempre a estação da Outorela teve a pretensão de ser a CHIC no panorama televisivo português. Distingue-se pela postura e imagem altamente corporate dos seus pivots, amiúde transpirando aquele ar simultaneamente arrogante e papa-açorda muito típico do eixo Lisboa-Cascais. Isso não a impediu de pelo menos duas vezes se colocar desavergonhadamente do lado dos governos socialistas, como aconteceu no periodo Guterres durante longo tempo (com Emídio Rangel) e posteriormente algures a meio do socratismo por razão desconhecida. Da mesma forma, o CHIC conviveu com o brega durante todos estes 18 anos. Programas documentais, jornalismo supostamente de luxo e galas que por uma interminável sucessão de anos trazem as "elites" de A a Z premiando-se entre si com globos de ouro misturam-se com programas do mais desinteligente humor e frívolo entretenimento, este último frequentemente encabeçado por apresentadores/animadores oriundos da pior boçalidade nacional. As produções nacionais - séries e telenovelas - não conseguem captar a mesma atenção que as da sua congénere TVI. Porquê? Talvez porque a SIC prefere omitir a sua condição de TV comercial e adoptar uma atitude tríplice de chic-intelectual-popularucho pensando ser essa a melhor forma de atraír a preferência de gregos e troianos. Acontece que todos se apercebem dessa inconsistência o que acaba por beneficiar a TVI, não por uma questão de qualidade mas pela franqueza com que admite ser uma estação comercial bem portuguesa sem engasgos corporate entre um Goucha e uma Fátima Lopes.
Os meus chochos parabéns à SIC.

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