Sábado, 23 de Janeiro de 2010

Paroquianismo tropical


Com o sismo no Haiti, já começou a tradicional atribuição de culpas aos Estados Unidos. Afirma Chavez que estamos perante um devastador terramoto experimental, causado pelo teste de uma arma da Marinha norte-americana. Há dois dias, passou na rádio uma reportagem sobre uma ONG brasileira no terreno, cujo coordenador mostrava-se contra a presença ostensiva de militares nas ruas, sobretudo se norte-americanos, já que "não têm um bom relacionamento nem uma boa imagem". Claro que, logo de seguida, lhe pareceu muito melhor que na sua maioria fossem latino-americanos, sendo que estes "são mais bem recebidos pela população". Esta gente, em vez de se unir no propósito de auxiliar as populações, só se apressa em dividir e a alimentar ódios. São mais atentos que o pior capitalista, quando até num desastre desta dimensão aproveitam para meter as suas alfinetadas luleiras, mais racistas que outra coisa qualquer. Não sinto fascínio nenhum em especial pela América nem pelas manobras do seu capitalismo. Mas ainda gosto menos deste paroquianismo tropical de tom messiânico. Ainda nem faz um ano quando Lula - talvez esquecido dos fundadores do seu respaldo ideológico - citou que a crise financeira "tem cabelo louro e olhos azuis". Vale mais que mil teses sobre politica e cultura do 3º mundo.

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